Dentro
de um mês acontece a cerimônia do Oscar. Aproveitei as minhas férias para
assistir a todos os indicados. Eis a minha humilde opinião sobre os indicados
na categoria melhor filme:

“Indomável Sonhadora” (Beasts of the Southern Wild): O
filme nos coloca num pedaço ficticio da cidade de New Orleans quando esta sofre
os terriveis efeitos do furacão Katrina. Neste lugar esquecido por Deus
conhecemos a pequena Hushpuppy que vive com o pai, uma vez que sua mãe a
abandonou. As condições de vida são extremamente precárias. O filme é narrado
pela menina e nos mostra, por meio de cenas duras, contudentes e tristes, a
grande lição de vida que o pai quer passar para a menina: ela tem que ser forte
para aguentar toda a dificuldade da vida. A interpretação da menina é algo
assombroso. Recomendo.

“O lado Bom da Vida” (Silver Linings Playbook): O
filme mais leve entre os indicados. Conta a história de Pat que sai do
sanatório e precisa reconstruir sua vida, depois de um surto psicótico ao
encontrar a esposa o traindo. Nesta jornada, ele começa uma amizade com Tiffany
que também tem problemas e está tentando superar a morte trágica do marido e a
má fama que a ronda. Apesar de tantas desgraças envolvendo os personagens, a
trama é leve e em alguns momentos divertida. Jennifer Lawrence, Bradley Cooper
e Robert De Niro estão muito bem em seus papéis. Destaque para a cena em que o
personagem do De Niro pede perdão ao filho por toda a omissão dele. O fim
descamba para o romance, mas mesmo assim o filme não perde seu brilho.
“A Hora Mais Escura” (Zero Dark Thirty): O
filme, ao longo de intermináveis quase 3 horas, nos mostra os bastidores da
captura do maior terrorista de todos os tempos, Osama Bin Laden. Há muitas
cenas de tortura (principalmente no começo) e a história não empolga. Falta
carisma para a personagem da Jessica Chastain que só faz caras e bocas ou grita
quando contrariada. Quando finalmente chega na parte que interessa, a captura
em si, é tudo muito escuro, praticamente não se consegue enxergar.

“Lincoln”: Fiquei
dividida com o filme. Ele é muito bem feito, bem produzido, as interpretações
são um show à parte. Daniel Day-Lewis prova que é mesmo um dos melhores atores
de todos os tempos com uma caracterização impecável do personagem título. Tommy
Lee Jones e James Spader também estão ótimos. Considero a interpretação da
Sally Field bem excessiva, com muitos gritos e caras e bocas, mas nada que
atrapalhe ou incomode tanto assim. Há uma parte muito linda que é o discurso de
Gettysburg (famoso lá nos EUA e ainda hoje muito comentado e citado) que é
quando o Lincoln fala sobre “o governo do povo, para o povo e pelo povo).Todas
as tramoias políticas estão lá, todos os artifícios que são usados para que ele
consiga aprovar a emenda que garanta o fim da escravidão. Impossível não
assistir e relacionar com a política brasileira e seus escândalos. Porém o
filme é demasiadamente longo e muito escuro. Aliado com o tema difícil e a
quantidade imensa de diálogos não acho que é um filme que arrebatará a plateia
brasileira.
“Os Miseráveis” (Les Miserables):
Que fique bem claro que nunca curti musicais. Sempre os acho tediosos. Que
fique claro também que há partes patéticas no filme (Sacha Baron Cohen e Helena
Boham Carter destoam da história e parecem fazer parte de uma comédia).
Lembrem-se também que Russel Crowe não sabe cantar, apesar de se esforçar
bastante e a Amanda Seyfried tem uma interpretação ridícula como Cosette. Ok,
depois de todas essas lembranças, saiba: Les Miserables é um grande filme. A
história em si já é envolvente (eu li o livro do Victor Hugo, que inspirou o
musical da Broadway no qual o filme foi baseado, e foi paixão a primeira
vista). A história de redenção de Jean Valjean, preso por roubar um pão que
foge da prisão e encontra o perdão e a bondade quando é auxiliado por um padre
e decide, então levar uma vida honesta, mas acaba perseguido pelo inspetor
Javert durante toda a sua vida. Ele encontra a prostituta Fantine, que teve que
apelar para essa saída para cuidar de sua filha Cosette, pois foi abandonada
pelo namorado. Hugh Jackman faz um Valjean perfeito e Anne Hawthway é sublime
ao cantar a música mais famosa do musical “I
dreamed a dream”. Duvido que você não chore ao assistir esta performance.
Recomendadíssimo!!
“As aventuras de Pi” (Life of Pi): Começo a minha resenha deste filme de forma direta. Não gostei!
Ok, há méritos, sim. Os efeitos especiais são muito bons e o começo do filme é
até interessante com uma produtiva e bastante proveitosa discussão religiosa,
porém a segunda metade do filme perde ritmo e decepciona. Simplificando a
história, Pi Patel e sua família resolvem mudar para o Canadá e durante a
viagem há um naufrágio. Pi sobrevive em um barco e lá aparecem vários animais,
inclusive um tigre.
.jpg)
“Amor” (Amour): É
um filme bem difícil. É sobre um casal de idosos, que moram num bom apartamento
em Paris, e tem que lidar com as limitações da doença e a iminência do fim. É
duro, cruel, brutal. Mostra, sem pudores, a decadência do corpo e da mente do
ser humano. Emmanuelle Riva dá um show no papel da mulher que devido a um
problema que não é explicado (eu entendo ser um derrame), fica com uma parte do
corpo paralisada. O marido dedica-se a ela 100%, daí o nome do filme. Um dos
meus preferidos, com certeza.

“Django Livre” (Django
Unchained): Filme do Tarantino é sempre garantia de bom cinema. Conta a
história do escravo Django que é libertado pelo caçador de recompensas Dr. King
Schultz para achar o paradeiro de três irmãos. Após se mostrar um exímio atirador,
Django e Schultz viram parceiros e partem em busca da libertação da esposa de
Django, Broomhilda, uma escrava que está na fazenda de Calvin Candie.
Interpretações maravilhosas de Christopher Waltz, Leonardo DiCaprio e Samuel L.
Jackson (este último, realmente incrível!!), trilha sonora ótima, bela
fotografia e muito banho de sangue. Não bate a obra-prima do Tarantino, “Bastardos
Inglórios”, mas ainda assim é um ótimo filme, apesar de muito longo.
“Argo”: Quando
for assistir a um filme dirigido pelo Bem Affleck, esteja certo: vem coisa boa
por aí. O filme fala sobre o resgate de um grupo de americanos que ficam presos
no Irã, em plena revolução de 1979, e, como única saída para o resgate, chamam
o agente da CIA, interpretado também pelo Affleck, que tem a ideia de inventar
a filmagem de um filme fictício, Argo, em terras iranianas. Há muitos detalhes
e a trama é complexa, mas vale muito a pena.
Posted by Alê
Nenhum comentário:
Postar um comentário