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quarta-feira, 1 de julho de 2015

Separação - Vinicius de Moraes

Voltou-se e mirou-a como se fosse pela última vez, como quem repete um gesto imemorialmente irremediável. No íntimo, preferia não tê-lo feito; mas ao chegar à porta sentiu que nada poderia evitar a reincidência daquela cena tantas vezes contada na história do amor, que é história do mundo. Ela o olhava com um olhar intenso, onde existia uma incompreensão e um anelo, como a pedir-lhe, ao mesmo tempo, que não fosse e que não deixasse de ir, por isso que era tudo impossível entre eles. Viu-a assim por um lapso, em sua beleza morena, real mas já se distanciando na penumbra ambiente que era para ele como a luz da memória. Quis emprestar tom natural ao olhar que lhe dava, mas em vão, pois sentia todo o seu ser evaporar-se em direção a ela. Mais tarde lembrar-se-ia não recordar nenhuma cor naquele instante de separação, apesar da lâmpada rosa que sabia estar acesa. Lembrar-se-ia haver-se dito que a ausência de cores é completa em todos os instantes de separação. Seus olhares fulguraram por um instante um contra o outro, depois se acariciaram ternamente e, finalmente, se disseram que não havia nada a fazer. Disse-lhe adeus com doçura, virou-se e cerrou, de golpe, a porta sobre si mesmo numa tentativa de seccionar aqueles dois mundos que eram ele e ela. Mas o brusco movimento de fechar prendera-lhe entre as folhas de madeira o espesso tecido da vida, e ele ficou retido, sem se poder mover do lugar, sentindo o pranto formar-se muito longe em seu íntimo e subir em busca de espaço, como um rio que nasce. Fechou os olhos, tentando adiantar-se à agonia do momento, mas o fato de sabê-la ali ao lado, e dele separada por imperativos categóricos de suas vidas, não lhe dava forças para desprender-se dela. Sabia que era aquela a sua amada, por quem esperara desde sempre e que por muitos anos buscara em cada mulher, na mais terrível e dolorosa busca. Sabia, também, que o primeiro passo que desse colocaria em movimento sua máquina de viver e ele teria, mesmo como um autômato, de sair, andar, fazer coisas, distanciar-se dela cada vez mais, cada vez mais. E no entanto ali estava, a poucos passos, sua forma feminina que não era nenhuma outra forma feminina, mas a dela, a mulher amada, aquela que ele abençoara com os seus beijos e agasalhara nos instantes do amor de seus corpos. Tentou imaginá-la em sua dolorosa mudez, já envolta em seu espaço próprio, perdida em suas cogitações próprias - um ser desligado dele pelo limite existente entre todas as coisas criadas. De súbito, sentindo que ia explodir em lágrimas, correu para a rua e pôs-se a andar sem saber para onde... 

Acabei de lembrar dessa crônica, a primeira vez que ouvi foi em um congresso de humanas que fui na época da facul. Tão linda e dolorosa. História de muitos por ai.. Quem nunca?? rs Cade minha garrafa de vinho??

domingo, 7 de junho de 2015

A Improvável Jornada de Harold Fry

"A carta que viria mudar tudo chegou numa terça-feira. Era uma manhã comum de meados de abril, daquelas que cheiravam a roupa lavada e grama cortada."

E é assim que começa a história de Harold Fry que um dia recebe uma carta de despedida de uma velha amiga de trabalho, Quennie Hennessy, lhe informando que está morrendo de cancer. Harold que não é um homem de dar voz aos seus sentimentos decide escrever uma carta com uma simples condolência e coloca-la no correio. 

Harold deixa sua esposa com seus afazeres e sai em busca de uma caixa de correio. O que Harold não sabe é que nesse simples gesto, ele começa meio que indiretamente a sua perigrinação. Ele encontra várias caixas de correio pelo caminho, mas sempre continua com o intuíto de que vai achar outra.

No caminho, ele para num posto e lá conhece uma moça que lhe conta sua experiência com a tia, que também enfrentou um cancer, e que como sua fé ajudou a salvar a tia. Harold então, liga para a clinica, onde Queenie se encontra internada e diz a pessoa que atende para dizer a Queenie que ele irá salva-la, para ela se manter viva, que ele caminhará por ela.


Então, a peregrinação de Harold se torna concreta. 

Harold que gosta de ver o melhor nas pessoas, mas tenta evitá-las, conhece muitas pessoas diferentes, alguns que o ajudam durante a sua jornada e outros que usam Harold e sua história para seus próprios fins. Todos deixam sua marca em Harold fazendo-o se recordar do passado. 

Ele começa a refletir e examinar seu casamento, suas escolhas e seus relacionamentos com seus pais, seu filho e Queenie. Quer resgatar o que ele vê como uma divida do passado para com Queenie, como uma forma de expiação, por não ter sido um bom pai, pela mãe que o deixou e por seu relacionamento com seu próprio pai depois que a mãe foi embora.

A esposa de Harold, Mauren, também começa a refletir sobre suas próprias escolhas e comportamentos. Ela percebe que é significativo para Harold o que ele está fazendo e que por muitos anos, ela o culpou por muitas coisas em que ela tivera culpa também. Ela percorre toda uma gama de emoções.

O final é bastante comovente, pelo menos foi pra mim, porque Harold tem seus erros e seus acertos, é tão humano como qualquer um de nós. Ele não é o mocinho da história tentando salvar a mocinha, ele vai em busca de expiação dos seus erros.


As vezes, a gente conhece pessoas que ficam em nossas vidas, que bagunçam com a nossa cabeça e outras que logo vão embora, mas que naquele momento você precisou delas, e que de alguma forma deixaram uma marca em você, algo que você tinha que aprender ou ajuda-las de certo modo. Harold enxerga isso logo de inicio - o como aceitar a estranheza das pessoas. 

 "A dor leva as pessoas a fazerem coisas muito estranhas." (Queenie - descrevendo o que Harold fez na cervejaria.).

Autor: Rachel Joyce
Editora: Suma de Letras
Ano de lançamento: 2013
Número de páginas: 248

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O Oceano no Fim do Caminho


É fácil se lembrar da infância? De como enxergamos o mundo quando crianças? Dos medos mais profundos e de como nos protegíamos deles?

O Oceano no fim do Caminho nos conta a história de um homem, recém divorciado, de 39 anos de idade que volta a cidade onde passou a infância para um funeral. Logo que deixa esse funeral decide dirigir pela cidade e visitar a casa em que crescera. Passando por ela, suas lembranças começam aflorar e ele chega a fazenda Hempstock e começa a se questionar sobre a garotinha que morava ali. A última noticia que tivera dela era que havia ido estudar na Austrália. Lettie, sua única amiga na infância. Na fazenda Hempstock ele encontra a mãe de Lettie, mas que por alguns segundos ele pensa ser a avó dela. Então ele pede para rever o lago nos fundo da casa, o lago que Lettie costumava chamar de Oceano.


Suas lembranças o remetem de volta ao tempo em que tinha 7 anos de idade. Lembra-se de como seus livros serviam como forma de escapismo da indiferença de seus colégas de classe e de sua família. E ele começa a perceber de como as coisas são difíceis também no mundo adulto. Primeiro vem as dificuldades financeiras, onde seus pais tem que alugar o quarto no alto da escada, quarto esse que era dele, e ele tem que passar a dividir o quarto com a irmã. Depois, o convívio com a baba e a relação dela com seu pai e as coisas que ele observa a partir dai, mas que não tem maturidade pra entender.

Um dos inquilinos, a alugar seu quarto, foi um minerador de Opala que certa noite roubou o carro da família e cometeu suicídio dentro dele. E isso acabou desencadeando um mal antigo que  se alimentava do desejo das pessoas por dinheiro e levando a  resultados desastrosos. E em consequência disso ele conhece Lettie, e é ai que fantasia e realidade se misturam. 

O autor acaba que sugerindo que a fazenda Hempstock é o lugar mais seguro do mundo. Lettie e sua família são pessoas que existem fora do tempo, em parte, afim de evitar coisas como aquela que foi desencadeada pelo suicídio do minerador de opala.

O escapismo está por toda parte na história misturando realidade e fantasia e fazendo você se perguntar se aquilo é real ou não. 

O oceano ou apenas um lago? Tudo difere do ponto de vista. Para nós adultos - apenas um lago. Para uma criança - uma imensidão - um oceano sem fim. As vezes, nos esquecemos de como enxergávamos o mundo enquanto crianças, temos nossas memórias, mas no final das contas racionalizamos. 


Não é um livro fácil de se falar sobre,  cada leitor vai senti-lo de maneira diferente, remete-lo a sua própria infãncia e experiências de maneira diferente. Afinal quem nunca foi esse garotinho, cujo nome não nos é revelado, alguma vez na vida?

"Eu adorava mitos. Não eram histórias para adultos e não eram histórias para crianças. Eram melhores que isso. Simplesmente eram. 
As histórias para adultos nunca faziam sentido, e a ação nelas demorava muito a acontecer. Elas me davam a sensação de que havia segredos, segredos maçônicos, míticos, envolvendo a idade adulta. Porque os adultos não queriam ler sobre Nárnia, ilhas misteriosas, contrabandistas e fadas traiçoeiras?"

“Existem monstros de todos os formatos e tamanhos. Alguns deles são coisas que as pessoas têm medo. Alguns são coisas que se parecem com outras das quais as pessoas costumavam ter medo muito tempo atrás. Algumas vezes os monstros são as coisas das quais as pessoas deviam ter medo, mas não têm”.


Autor: Neil Gaiman
Editora: Intrínseca
Ano de lançamento: 2013
Número de páginas: 208

by Fê

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

O Projeto Rosie


Imagine você criando um Projeto para encontrar o par perfeito, a pessoa que se adeque a você. Será que isso é possível? Foi o que o Don Tillman fez. Ele, um geneticista renomado, prestes a completar 40 anos de idade decide criar o Projeto Esposa, um questionário onde ele formula uma série de perguntas para encontrar a mulher que será capaz de aceitar e seguir sua metódica rotina. 

Don é um cara extremamente inteligente, bonitão, pratica esportes, organizado, pontual - um sonho para qualquer mulher, mas ele não tem lá muito jeito com a mulheres, e para ele ter um relacionamento com uma mulher é algo que precisa de todo um planejamento, pois seu estilo de vida é friamente calculado. E, é claro que ele consegue alguns encontros com mulheres que se candidatam ao projeto esposa, mas sempre existe alguma coisa que as fazem não se enquadrarem a ele.

Porém, em seu caminho surge Rosie. Rosie é completamente o oposto do que Don espera encontrar. A princípio, ele acha que ela está se candidatando ao Projeto Esposa (mero engano). Logo de cara ele já sabe que ela não se enquadra em nada, ele por sua vez poderia descarta-la e continuar a sua busca, mas as coisas não seguem por esse caminho, ele meio que decide estuda-la para formulação de novas perguntas eliminatórias para seu projeto. 

Então, Rosie faz um tremendo rebuliço na vida de Don. Ela não está nem aí para o comportamento esquisito dele. E ao longo da história ela vai lhe mostrando um milhão de possibilidades e ele vai saindo aos poucos de sua rotina altamente calculada e se entregando ao inesperado, ao novo, por assim dizer. Isso para ele não é fácil, mas ele vai descobrindo que não existe alguém "certo" e sim as pessoas se fazem certas umas para as outras.

- Quer uma cerveja? - perguntou ela. Uma cerveja! Às 3h. Ridículo.
- Sim, por favor. 
pág. 118


O desenrolar da história não fica só nisso, há um outro subplot, onde Don ajuda Rosie com um outro Projeto, o projeto Pai, e onde também a relação deles começa a ficar um pouco mais sólida. Don não é lá muito bom em como lidar com sentimentos alheios e Rosie, bem ela é emotiva. E ver a relação de dois opostos tomando forma é algo inspirador, porque na sociedade em que vivemos hoje encontrar alguém que aceite uma pessoa como ela é, com suas qualidades e defeitos, já é bastante raro - a era da intolerância. 

O autor deixa subentendido que Don é portador da síndrome de Asperger - uma forma branda de autismo. O portador da Síndrome de Asperger é geralmente muito inteligente e ambicioso, mas também com problemas comportamentais, ou seja, pode ser muito calado, tímido, severo, bastante racional. Tem dificuldades de processar e expressar emoções muitas vezes levando o afastamento de outras pessoas.

Se não me engano esse foi o primeiro livro de comédia romântica que li, comprei lá pelo segundo semestre de 2013, mas o blog estava um pouco parado, então não houve nenhum post sobre.

É um chick lit (gênero que aborda as questões das mulheres modernas), apesar de ter sido escrito por um homem e ser narrado em primeira pessoa pelo personagem principal, no caso, o Don.

É um bom livro pra se divertir, boas risadas, diálogos inteligentes de situações embaraçosas, uma leitura fácil e simples pra quem não quer nada muito complexo. Recomendo. 

Autor: Graeme Simsion
Editora: Record
Ano de lançamento: 2013
Número de páginas: 320

by Fê

sábado, 17 de janeiro de 2015

Homens, Mulheres e Filhos

Quão bem você pode dizer que conhece aqueles próximos a você? Será que somos realmente assim tão próximos daqueles que deveríamos ser? A tecnologia nos aproxima ou nos afasta cada vez mais?

Neste pesado livro de Chad Kultgen, refletimos e analisamos essas questões. Acompanhamos a vida cotidiana de alguns homens, mulheres e crianças (aqui me permito discordar da tradução do nome do livro) em uma pequena cidade dos Estados Unidos. São numerosos personagens e histórias que se desenvolvem ora paralelamente e ora se encontrando. E são reais e muito críveis:

- O casal entediado que resolve procurar pela internet outros parceiros sexuais;

- O adolescente, jogador de futebol americano, que desiste do esporte e se entrega a uma profunda depressão e só tem alivio ao se refugiar em seus jogos on-line;

- O homem, cuja esposa o abandonou para viver com outro, que tenta sair novamente com uma mulher;

- A mãe, que explora a beleza da filha, postando fotos dela em sugestivas poses sensuais para ganhar dinheiro;

- A menina que sofre de bulimia e anorexia e posta suas “conquistas” em blogs sobre o assunto;

- A mãe que controla cada pedacinho da vida virtual da filha, pois acha a internet extremamente perigosa;

Algumas delas ganham mais destaque ao longo do livro e praticamente todos os personagens nos conquistam.

O autor é muito objetivo e abusa das descrições explicitas das relações sexuais entre os personagens.

O final do livro é emocionante e nos dá muito o que refletir.


No fim de 2014, o filme baseado no livro foi lançado nos cinemas. Embora igualmente emocionante, o longa não cativa tanto, uma vez que as histórias são muitas e não há muito tempo para desenvolver os questionamentos dos personagens. O final também ficou bem diferente, apelando mais ao clichê emocional. Mas vale igualmente a pena!


Posted by Alê

segunda-feira, 25 de março de 2013

As Brumas de Avalon - A Senhora da Magia



Em a "Senhora da Magia"- primeiro volume de "As Brumas de Avalon" - temos o início de toda a lenda arturiana contada através da visão feminina da época, que segundo essa versão da lenda exercia grande poder por trás do trono.

Já nos primeiros capítulos somos apresentados a Igraine - irmã da Senhora de Avalon, Viviane, que foi dada em casamento aos 15 anos contra a sua vontade ao Duque da Cornualha, Gorlois, um homem muito mais velho do que ela. Igraine sofre muito dentro desse casamento, ela é espancada e humilhada pelo marido. Mas desse casamento, ela tem uma filha Morgaine - futura sacerdotisa da grande Deusa.
De início, me compadeci em relação a Igraine, por conta do seu sofrimento, mas logo quando vai chegando o fim de sua passagem na história fiquei com uma outra visão dela. Percebi o quanto ela era egoísta a sua maneira, e isso se mostra muito evidente quando ela é feita Rainha de Uther e se torna uma mãe ausente deixando Morgaine e Gwydion (Arthur) de lado para viver somente por seu marido. É mostrado um romance intenso entre os dois, pois antes de Uther se tornar o Grande Rei, ele e Igraine acabam que descobrindo, por meio de sonhos, que já haviam se conhecido de outra vida. É visível na personalidade de Igraine também seus conflitos com a religião. Embora, tenha sido criada na Ilha de Avalon sob a religião da Grande Deusa até os 15 anos, vemos nela valores cristãos. Tanto é que quando seu marido, Gorlois, morre, ela abandona de vez a religião pagã e se torna cristã.

Gostei muito de como Morgaine foi retratada nessa história, ela não foi posta como a grande vilã como estamos acostumados a ver em filmes e até mesmos em outros livros. Morgana das Fadas é assim que é conhecida também, por causa de sua aparência - é descrita no livro como sendo de estatura pequena, com cabelos e olhos negros - descendente do povo encantado. Ela não se parece nada com sua mãe, Igraine ou com sua tia Morgause, pois ambas são altas e tem cabelos vermelhos. Morgaine se parece com sua tia Viviane com quem vai viver aos 11 anos de idade para se tornar uma sacerdotisa da Grande Deusa. Particularmente, apesar de gostar muito dessa versão da história, gostaria de ter lido mais a respeito de Morgaine na corte de Uther quando ainda era criança e começava a descobrir que tinha a visão. Seria uma visão mais profunda de seu perfil psicológico. 
Em Avalon, Morgaine começa o seu treinamento para se tornar sacerdotisa. Tudo corre bem até o momento em que deve cumprir um ritual - o casamento com a terra - e acaba descobrindo algo que a faz começar a nutrir um grande ódio por Viviane. Assim começa a ser traçada sua parte na história mais precisamente.

Viviane, a Senhora de Avalon - é quem demonstra toda força feminina, pois é através dela que Uther Pendragon é posto no trono e é por causa dela que Arthur é feito Grande Rei, o Rei que salvará a Bretanha, que unificará os reinos menores e tratara a todos com igualdade. Ela vive somente para a Deusa, nunca amou ninguém além de sua filha que morreu alguns dias depois de nascida e Morgaine a quem confidenciou que a mesma um dia viria a odia-la, o que de fato acabou acontecendo. Em momentos de reflexões vemos Viviane se questionando do por que de ter dado Igraine em casamento; a vemos refletindo a respeito de não ter amado nenhum homem de verdade; e cumprindo apenas seus deveres com relação a Deusa. Mas ao final do livro quando Uther morre e este, em uma visão, aparece para ela, ela acaba dando a impressão de tê-lo amado, e em uma outra visão repentina, ela compreende que já o havia conhecido de outra vida também, mas que eles não haviam se reconhecido nesta. (referência a Atlantida). Minha opinião a respeito de Viviane é que nem sempre ela fez as coisas que fez porque a Deusa assim o desejava, de uma forma ou de outra ela estava fazendo a vontade dela mesma. Até mesmo Merlin a adverte em relação a isso em uma passagem da história. 
Gostaria de ficar escrevendo sobre todas as outras personagens, mas essas três são as mais importantes nesse primeiro livro. No tocante a religião vemos o conflito entre a religião pagã e cristã, mas fica muito bem enfatizado pelo lado pagão de que todos os deuses são um só e a vontade da co-existência com os cristãos. Já pelo lado da religião cristã não se tem essa mesma idéia. 
A história, como disse anteriormente, é contada através da visão feminina, e na antiga religião de Avalon o homem não era tido como o centro do poder e sim as mulheres o que acaba gerando outro conflito com o cristianismo. Isso fica claro numa passagem da história:

“ O destino da mulher era de ficar sentada em casa, no castelo ou na cabana - havia sido assim desde a chegada dos romanos. Antes disso, as tribos celta seguiam os conselhos de suas mulheres, e mais ao norte existia uma ilha de mulheres guerreiras que faziam armas e ensinavam os chefes a usá-las”.

Marion Zimmer Bradley, já falecida infelizmente, nos deu um grande clássico. Esse foi o primeiro livro sobre as lendas do Rei Arthur que li, e foi por ele que nasceu todo meu fascínio por essa história que é tão rica em personagens e que é recontada por muitos com diferentes versões.  

"... Um dia também os padres a contarão, tal como a conhecem. Talvez entre as duas se possam perceber alguns lampejos de verdade... A verdade tem muitas faces..." (Morgaine - no prólogo do livro).

Esse é um livro excelente, para mim foi uma releitura, pois já o tinha lido há alguns anos atrás e relê-lo foi muito gratificante, consegui ter uma visão bem mais profunda das personagens. Recomendo muito para quem quiser se aventurar nas lendas arturianas.

PS Há um filme que foi feito para televisão no formato de uma minissérie. O filme é muito bom também, mas não tanto quanto os livros. Há algumas diferenças entre os livros e o filme.

posted  by Fê

sábado, 2 de março de 2013

Crescendo

Leitura do mês de fevereiro - Crescendo. Autora: Becca Fizpatrick. Editora Intrinseca. 



Em Crescendo, a autora continua seguindo a linha de mistério que particularmente eu até gosto, mas continuo não apreciando muito a história no geral. Por que continuo a ler? Bom, não consigo deixar uma história inacabada na minha cabeça. rs

Logo de início, encontramos Nora e Patch como namorados. Patch se tornou o anjo da guarda de Nora, e tudo parece estar correndo as mil maravilhas até que Patch começa a se comportar de maneira estranha e aos poucos começa a se afastar de Nora. E como se não bastasse ela não saber o motivo pelo qual Patch está se comportando diferente, ela descobre um certo interesse dele por Marcie Miller - garota que Nora não tem um bom relacionamento desde a infância. Nora começa a sentir ciúmes, tenta tirar satisfação, mas como sempre Patch não explica nada pra ela. Ela só sabe o que ela descobre em suas investigações junto de Vee e o que Patch quer que ela saiba (pra variar). Patch se torna desprezível nessa parte (que me desculpem os que gostam de dele). Como disse no post sobre "Sussurro", continuo achando que Nora não gosta de Patch e vice versa. Ela me parece ser, um pouco, obcecada por ele. #opinião 

Todas as personagens tem alguma ligação com a vida de Nora de uma forma ou de outra. Como é o caso de Scott Parnell - seu amigo de infância. (meu personagem favorito até agora, espero vê-lo nos livros seguintes rs). 

O mistério central é em cima da morte do pai de Nora e há muitas reviravoltas até o último capítulo.

Um ponto interessante, em termos das personagens, desse livro, é o início do amadurecimento de Nora. Ela ainda tem atitudes infantis perante as coisas que passa, mas está caminhando para uma boa direção. Li em muitas resenhas que diziam que Nora estava irritante, nesse segundo livro, mas achei seu personagem muito mais bem desenvolvido do que em " Sussurro". Estava mais real, aprendendo e lidando com as coisas de maneira mais humana. 

O livro termina de um jeito que mesmo você não gostando muito da história, que é o meu caso, te instiga a ler a sequência.


posted by Fê

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O Nome do Vento

Terceira Leitura do mês de Fevereiro: O Nome do Vento. Autor: Patrick Rothfuss. Editora: Arqueiro.

Uma das minhas primeiras leituras do ano  e já considero "O Nome Vento" a melhor. Esse é o primeiro volume da trilogia que é seguido pelo segundo volume "O Temor do Sábio" já lançado aqui no Brasil. O terceiro volume, até agora, não tem data pra ser lançado. 

A história gira em torno de Kote, ou melhor, Kvothe que é conhecido como herói e vilão de muitos contos. Na verdade, Kvothe, é conhecido por vários nomes. Entre eles estão: o Sem-Sangue, o Arcano,  o Matador de Rei... Mas voltando a história, Kvothe mora e é proprietário de uma hospedaria chamada Marco do Percurso, lá vive sob o nome de Kote, já que é dado como morto por muitos.


Sinopse: Ninguém sabe ao certo quem é o herói ou o vilão desse fascinante universo criado por Patrick Rothfuss. Na realidade, essas duas figuras se concentram em Kote, um homem enigmático que se esconde sob a identidade de proprietário da hospedaria Marco do Percurso.

Da infância numa trupe de artistas itinerantes, passando pelos anos vividos numa cidade hostil e pelo esforço para ingressar na escola de magia, O nome do vento acompanha a trajetória de Kote e as duas forças que movem sua vida: o desejo de aprender o mistério por trás da arte de nomear as coisas e a necessidade de reunir informações sobre o Chandriano – os lendários demônios que assassinaram sua família no passado.
Quando esses seres do mal reaparecem na cidade, um cronista suspeita de que o misterioso Kote seja o personagem principal de diversas histórias que rondam a região e decide aproximar-se dele para descobrir a verdade.
Pouco a pouco, a história de Kote vai sendo revelada, assim como sua multifacetada personalidade – notório mago, esmerado ladrão, amante viril, herói salvador, músico magistral, assassino infame.
Nesta provocante narrativa, o leitor é transportado para um mundo fantástico, repleto de mitos e seres fabulosos, heróis e vilões, ladrões e trovadores, amor e ódio, paixão e vingança.

Esse não é um livro com uma história cheia de ação, é um livro calmo e muito prazeroso. Foi emocionante acompanhar a história, ou melhor, a biografia de Kvothe. Desde a sua infância e até então a sua adolescencia.
Já de início com 12 anos, Kovthe, conta sua vida como um Edema Ruh (trupe itinerante de atores e mágicos). Lá ele conhece seu primeiro mentor, o Arcanista Albenty (Ben). Com ele, Kvothe, começa a aprofundar seus estudos. Albenty logo vê que Kvothe é muito inteligente, pois Kvothe observa e já entende e sabe coisas que muitos que estão na Universidade ainda estão aprendendo. Essa parte vai até o momento da tragédia. 

Após a tragédia com sua família e trupe, temos um Kvothe que vai morar na cidade (Tarbean). Logo, começamos a acompanhar o desenvolvimento de Kvothe como um garoto de rua. Um garoto que teve que aprender a se proteger e encarar o mundo real. Particularmente, adorei essa parte, porque ela me trouxe fragmentos de outro livro que li há um tempo atrás: "Oliver Twist"de Charles Dickens. Nessa parte, Kvothe, teve seu momento Oliver Twist - um órfão inteligente com um passado infeliz e que aprende a roubar para sobreviver. Claro que são somente semelhanças, pois as duas histórias tem rumos completamente diferentes. Digamos que o Oliver não sofreu nem um 1/3 do que o Kvothe passou.

Depois de 3 anos na cidade de Tarbean, Kvothe, finalmente, vai para Universidade. A vida na Universidade também não é nada fácil, mas é melhor do que as ruas de Tarbean. Kvothe, então começa a sua vida acadêmica. Faz, depois de um longo tempo, novos amigos e junto também inimizades, se ve diante de sua grande paixão Denna, e assim começamos a ver um outro desenvolvimento na personalidade de Kvothe.  

Essa parte da Universidade nos faz pensar em Harry Potter - Hogwarts. Kvothe, logo de cara, já tem inimizades com um dos professores e com um dos alunos, mas também encontra seus dois melhores amigos o Simmon e o Wilem. Mas, como disse a respeito de Oliver Twist, são apenas semelhanças.

Na Universidade, o mais legal, é que não se aprende a fazer somente magia (simpatias) e sim a estuda-la e a entende-la. Então tem toda uma lógica para o por que de cada simpatia. Você realmente estuda o nome das coisas e vê o quanto um nome tem poder tanto sobre um objeto, a um elemento ou mesmo a uma pessoa.  Kvothe e o Mestre Elodin  discutem a respeito disso em um determinado capítulo, onde sem tem toda essa idéia.

"... As palavras são pálidas sombras de nomes esquecidos. Assim como os nomes tem poder, as palavras tem poder. Elas podem ascender fogueiras na mente dos homens. As palavras podem arrancar lágrimas dos corações mais empedernidos. Existem sete palavras que farão uma pessoa ama-lo. Existem dez palavras que dobrarão a vontade de um homem forte. Mas uma palavras não passa de uma pintura do fogo. O fogo é o nome em sí. (...) Usar palavras para falar de palavras é como usar um lápis para desenhar uma imagem dele mesmo nele mesmo. Impossível. Confuso. Frustante... Mas há outras maneiras de compreender!...  - Elodin (página 604).

Esse é um livro calmo e ao mesmo tempo é extremamente viciante. A narrativa do Patrick Rothfuss nos envolve de uma tal maneira que Kvothe passa a ser uma pessoal real. Nos vemos diante de uma aventura fantástica cheia de reviravoltas como momentos felizes, tristes, tensos... E é muito fácil amar o Kvothe.

A capa da edição do livro, aqui no Brasil, é linda. É a mesma que a da edição Francesa. A ilustração dá caminhos a imaginar todo esse mundo novo que nos é apresentado.

Sem dúvida, esse é um livro muito bom, então eu super recomendo pros amantes, como eu,  de literatura fantástica. ;)




                        
                           
posted by Fernanda

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Sussurro

Leitura do mês de fevereiro - Sussurro. Autora: Becca Fizpatrick. Editora Intrinseca. 

Sinopse: Nora Grey é uma garota extremamente responsável e estudiosa, que sempre faz as coisas certas. Mantendo planos para conseguir entrar numa boa faculdade, Nora vê sua vida mudar drasticamente com a chegada de Patch, seu novo parceiro de biologia, extremamente atraente e misterioso, que parece saber mais sobre sua vida do que ela mesma. Impulsionada a descobrir mais sobre seu passado e sobre seu comportamento misterioso, Nora passa a investigar Patch, e a inevitavelmente se aproximar dele, sem saber que estaria colocando sua vida em risco. Mais tarde, Nora descobre que Patch é na verdade um anjo caído do céu por cobiçar a vida humana, e que aparentemente deseja matá-la por causa de sua descendência Nephilim e ter um corpo humano próprio. No entanto, os dois acabam se apaixonando, o que coloca suas vidas em perigo já que um Nephilim (criatura feita a partir da relação de anjos caídos com seres humanos) deseja vingança com Patch.
(fonte da sinopse - wikipedia)


Depois de ler várias resenhas positivas a respeito desse livro me interessei e acabei que comprando. Foi um pouco decepcionante pra mim, porque esperava mais da história.
A história segue mais ou menos aquela linha Crepúsculo - Nora e Patch se conhecem na aula de Biologia, ele é um pouco estranho, misterioso... e de repente, sabe-se lá por qual razão, eles estão apaixonados.

Vou seguir abaixo com algumas observações.

O enredo em si, é interessante, talvez, essa tenha sido a razão que me fez ler, mas ao mesmo tempo que é interessante é um pouco fraco a medida que você vai lendo. E o por que acho isso? Senti falta de mais personagens e de descrições com um pouco mais de detalhamento de algumas cenas. Por exemplo, na aula de Biologia, o professor (treinador) vai fazer uma pergunta e parece que ele só tem três opções (Nora, Vee ou Patch) pra responder. É o resto da turma? Por que não dar a Nora uma roda de amigos, ao invés de uma única melhor amiga? Tudo ficou muito vago. Outra coisa que ficou muito vaga também foi essa mitologia a respeito de anjos que do meu ponto de vista não foi tão aprofundada. Talvez, nos livros seguintes isso mude, tomara.

Como disse, a princípio, Nora e Patch se vêem apaixonados de repente, veja bem, esse é o meu ponto de vista: Eu não acho que a Nora ame o Patch, primeiro, porque ela morre de medo dele e segundo, ela se sente atraída por ele, (que é uma coisa bem diferente rs) por ele ser bonitão, misterioso, fazer pinta de bad boy e toda vez que ele encosta/toca nela, ela sente uma onda de calor. Então, isso é descrição de amor? Em nenhum momento vemos Nora avaliando seus sentimentos por Patch. E outra, ela não sabe praticamente nada a respeito do dele, a não ser o que ele quer que ela saiba. Mas isso ai é até o momento do desfecho, onde tudo acaba se revelando.

Também, não acredito que o Patch a ame. Primeiro, porque ele tem duas opções: ele a salva e ganha suas asas de volta e se torna um anjo da guarda ou ele a mata pra conseguir um corpo humano. Se a primeira opção dele fosse salva-la, não teria  razão pro comportamento de bad boy dele para com ela já que ele só queria se tornar um anjo novamente. Também não vemos em momento algum Patch avaliando seus sentimentos por Nora.

A Nora, ela tem todas as razões do mundo pra duvidar que o Patch goste dela, mas ela acredita e continua acreditando mesmo depois que o próprio diz que queria te-la esfaqueado, a jogado da montanha russa... porém, mesmo depois de escutar tudo isso dele, ela chega a conclusão que ele só desistiu, porque ele está apaixonado por ela (Crepúsculo).  Como assim?! Parece até meio clichê entrar nessa questão, mas se a  Nora vivesse no nosso mundo (real), ela estaria morta.

O livro em sí não é ruim, como disse anteriormente, foi um pouco decepcionante pra mim, porque esperava mais da história em termos de ação e algumas explicações. Pra quem gosta de leituras que contenham o tema do sobrenatural misturado com um Q de mistério, recomendo.

posted by Fernanda

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A Culpa é das Estrelas


(mês de leitura: Dezembro/2012) 

Vamos começar essa resenha assim: esse é o tipo de livro que todo mundo deveria ler. Por que? Porque tem muita reflexão a respeito da vida, de como vive-la e de como encarar as situações. Não é um livro de auto-ajuda (detesto livros de auto ajuda), mas é um livro que te faz pensar bastante. 

Esse foi o primeiro livro que li do John Green e posso dizer que a narrativa dele é muito boa, muito envolvente, tão envolvente que acabei lendo em apenas um dia. O título original é "The fault in our Stars" e foi lançado aqui no Brasil em 2012 pela editora Intrinseca. 

A história é mais ou menos assim: é contada pela Hazel - personagem principal, ela tem 16 anos e é uma paciente com câncer. A Hazel faz parte de um grupo de apoio de crianças com câncer, onde jovens pacientes com ou que tiveram câncer trocam, por assim dizer, testemunhos e experiências. Nesse grupo de apoio ela acaba conhecendo o Gus (Augustos Waters) que é um ex-jogador de basquete e que já teve câncer. E eles acabam se apaixonando e algumas reviravoltas começam a acontecer.

Esse foi um livro que tudo o que estava escrito na capa aconteceu comigo, eu ri, eu chorei e sim eu queria mais. Enquanto lia, eu tinha uma impressão muito forte de que aquelas pessoas, digo, aqueles personagens eram reais. Entretanto, temos nas primeiras páginas do livro uma nota do autor quanto a isso. É uma história inventada, totalmente fictícia.
Basicamente tudo o que você acha legal e vai procurar depois não existe. A começar pelo livro favorito da Hazel o "Uma Aflição Imperial", a banda favorita do Gus "The Hectic Glow"ou o jogo de video game que o Gus, a Hazel e o Isaac costumam jogar "O preço do Alvorecer", não existem.

É um livro cheio de vários parágrafos/ frases marcantes. Duas das minhas favoritas:

"... meus pensamentos são estrelas que eu não consigo arrumar em constelações..."

Essa foi uma frase escrita pelo Gus quando o mesmo escreve uma carta ao autor de "Um Aflição Imperial". Ele se refere ao fato de não ser bom em organizar suas idéias, coisa que eu discordo, eu acho que ele sabe muito bem como fazer isso.

"... meu terceiro melhor amigo era um escritor que nem sabia que eu existia..."

Quem nunca atribuiu algum escritor como melhor amigo somente pelo fato dele escrever algo que você se identifica? 

Sentirei saudades da Hazel, do Gus, do Isaac, dos pais da Hazel e até mesmo dos pais do Gus que nem aparecem muito na história. Provavelmente lerei o livro novamente, mas acho que vou lê-lo em inglês..

Espero poder ter conseguido ter organizado meu pensamentos em constelações por aqui! =)


by Fê

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Perfeitos/ Especiais - SPOILERS - By Fê

Terminei o post sobre o livro "Feios"de Scott Westerland com a pergunta que se encontra na capa do segundo volume "Perfeitos". A pergunta era: 

O que acontece quando ser perfeito não basta?

Em Perfeitos, Tally conseguiu tudo o que sempre quis desde o começo, se tornar perfeita e viver em Nova Perfeição participando de festas e fazendo novos amigos.

Seu objetivo no começo do livro é ser aceita entre os Crims. Já que ela tem uma passado criminoso - por ter vivido na Fumaça - então isso já faz dela uma celebridade.

Já nas primeiras páginas, Tally e Shay, vão a uma festa, vestidas de Enfumaçadas, para chamar atenção dos Crims. Durante a festa, Tally se sente observada e tem a impressão de que um Especial está observa-la. Ela começa a segui-lo e por fim descobre que não era um Especial e sim um Feio. De repente flashes de seu passado começam a assalta-la, ela se lembra de que conhece aquele Feio e se lembra de outras pessoas também, inclusive de David.
Em meio aos acontecimentos depois dessa festa, Tally é aceita entre os Crims e conhece o líder do grupo, Zane, que  busca em meio das emoções, ficar borbulhante, para poder pensar por sí mesmo. Tally, então, acaba encontrando um apoio em Zane e dali começa a surgir um novo sentimento de que a perfeição, talvez, não baste.

Depois do final "borbulhante"de Perfeitos, Tally se torna uma Especial e agora ela faz parte das Circunstancias Especiais - chefiada pela Dr. Cable.
Ela e Shay tem a missão de descobrir onde fica a "Nova Fumaça", lugar onde vivem os fugitivos de Vila Feia e Nova Perfeição. 
O fato de Tally ser uma especial agora a torna muito sagaz, ela consegue sentir/ouvir os mínimos ruídos ao seu redor - ela se encontra em um puro contato com a natureza, afinal, agora ela também é uma Cortadora. A história segue, também, com o desejo de Tally de que Zane se torne um Especial e ela vai fazer tudo para que isso aconteça, até mesmo uma promessa a Shay...

Em toda essa série o que chama mesmo a atenção é a crítica social. No primeiro volume, "Feios",  percebemos como as pessoas dentro dessa "sociedade" vêem o mundo ou são levadas a ver. Mas também mostra como "nós"tidos como Enferrujados destruímos o mundo em que vivíamos. É interessante ver como as personagens se indignam quando se fala em guerra, de matar pessoas, derrubar árvores... somos tidos como patéticos aos seus olhos.
O segundo Volume, "Perfeitos", percebemos como as pessoas são seduzidas com as alternativas mais fáceis, vemos uma sociedade perfeita que não se importa com o que está acontecendo ao seu redor,  tem desejos fúteis e somente existe a preocupação de pertencer a um determinado grupinho sem tentar fazer alguma diferença.
Já em Especiais, terceiro volume, encontramos o tema da superioridade, das pessoas se acharem melhores do que as outras. Em algumas cenas vemos Tally com nojo de olhar pra outras pessoas Feios/Perfeitos, ela se acha tão melhor, tão superior a eles que não consegue nem encara-los. 
Chegando a página 275 temos uma conversa entre Shay e Tally que exprime essa idéia de superioridade. Segue abaixo a resposta de Shay a Tally em relação a isso.

"... É como nos ensinaram na escola sobre os "ricos" na época dos Enferrujados. Eles tinham as melhores coisas, viviam mais e não precisavam seguir as regras comuns. E todo mundo achava isso perfeitamente aceitável, mesmo que as pessoas não tivessem feito nada para merecer esses privilégios a não ser ter os coroas certos. Pensar como um Especial faz parte do ser humano. Não é preciso muito esforço para convencer uma pessoa de que ela é melhor do que as outras..."

O Scott foi muito a fundo  nessa parte, porque temos como negar isso? Não vemos por ai coisas assim? digo, em qualquer tipo de situação? Afinal somos "Enferrujados" e realmente não é difícil convencer uma pessoa de que ela é melhor do que as outras. 

Eu, particularmente, gostei muito dessa história, teria dado finais diferentes a alguns personagens, por exemplo, o Zane, acho que o personagem dele foi muito mais bem desenvolvido comparando com o  do David. Mas... 

Bom, não vou começar a ler por agora o quarto volume "Extras", porque não me aguento mais de ansiedade de começar a ler "O Nome do Vento" do Patrick Rothfuss. Então vai ficar mais pra frente a leitura de Extras. E tem vários outros na fila também =S. 

PS Quem quiser responder a pergunta lá do inicio do post, seria muito legal! =)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Os Instrumentos Mortais - by Fê



Pra quem gosta de literatura fantástica aqui vai uma dica de uma série de livros que li entre os meses de dezembro/2012 e Janeiro/2013. - "Os Instrumentos Mortais" by Cassandra Clare que está sendo lançado aqui no Brasil pela editora GALERA RECORD.

Vou começar colando aqui uma pequena sinopse do Wikipedia e depois vamos as minhas impressões.

Clary Fray, 15 anos, decide passar a noite em uma boate da moda em Nova York, e o maior de seus problemas provavelmente seria lidar com o truculento segurança da porta, certo? Errado. Clary testemunha um crime, e não um crime qualquer: um assassinato cometido por três adolescentes cobertos por enigmáticas tatuagens, brandindo armas esquisitas. Para completar, o corpo da vítima desaparece no ar.
Clary quer ligar para a polícia; quer gritar; quer chamar seu amigo, Simon, que ficou na boate enquanto ela teve a infeliz ideia de perseguir o menino bonitinho de cabelo azul... Mas como explicar a eles que ninguém mais na rua enxerga os assassinos, apenas ela? Como provar que houve um crime se não há rastro algum do sangue do garoto morto — aliás, era mesmo um menino?
Mas ela nem tem tempo de tomar uma decisão; logo os assassinos se apresentam para a estranha mundana que não deveria vê-los, mas vê. Jace, Alec e Isabelle são Caçadores de Sombras, guerreiros cuja missão é proteger o mundo que conhecemos de demônios e outras criaturas. Vampiros que saem da linha, lobisomens descontrolados, monstros cheios de veneno? É por aí mesmo. E depois desse primeiro contato com o Mundo de Sombras, e com Jace — um Caçador que tem a aparência de um anjo, mas de língua muito afiada —, a vida de Clary nunca mais será a mesma. Mesmo.

Como disse anteriormente comecei a ler essa série de livros entre dezembro/2012 e janeiro/2013. Mas comecei a me interessar mesmo depois de ler e assistir várias resenhas tanto de outros blogs quanto no youtube fazendo comparações a Harry Potter e ao seriado Buffy.

Em relação a Harry Potter isso se deve ao mundo criado por Cassandra Clare quando ela nos apresenta os Caçadores de Sombras e da existência do país de origem dos mesmos "Idris". Enquanto lia essa parte da história muito me lembrei de Hogwarts. Idris não é igual a Hogwarts, mas é aquele lugar endereçado somente a um determinado público, no caso, os Caçadores de Sombras.

Comparando a Buffy, já encontrei algumas semelhanças dentro do comportamento de Jace, não que a Buffy tenha a mesma personalidade de Jace, não, são bem diferentes, o que quero dizer é a semelhança do sarcasmo de Jace em algumas cenas. Buffy era sarcástica também em algumas cenas de luta.
Outra ponto também é que os caçadores de sombras, eles tem umas laminas especiais - estelas, então quando eles matam um demônio o mesmo desaparece, volta pra onde não devia ter saído rs. E isso muito me fez recordar das cenas de luta de Buffy quando a mesma matava os vampiros e eles simplesmente desapareciam, viravam pó.

O enredo desses livros é bem empolgante, tem um ritmo agitado e está sempre acontecendo alguma coisa. Já ao final do primeiro volume, acontece uma coisa gente.. que você sabe que não é, você prevê que não seja, mas você fica com aquele Q de e se? rs Tenho que confessar que não aguentei e procurei por spoilers antes de começar a ler o segundo volume. #feio eu sei! mas eu não vou contar pra vocês rs. No segundo volume acontecem várias coisas legais, mas é um pouco cansativo. Já o terceiro volume é muito legal e outra todos os conflitos gerados desde o primeiro volume são resolvidos e você fica bem satisfeito ao termino. 
O quarto volume já  tem conflitos novos, mas não vou me basear muito nele, porque quero antes ler City of Lost Souls antes de opinar.

Alguns personagens - (não vou falar de todos).

Quanto aos personagens, particularmente gostei de todos, mas é claro que alguns nem tanto. Por exemplo, a Clary, no início, até gostei dela, mas no decorrer da história ela se torna um pouco irritante, na verdade, ela tem alguns aspectos infantis - Porém, ela é uma personagem que é forte, tem atitude, tudo bem que algumas vezes ela se questiona se o Jace gosta dela ou não, mas num fica choramingando pelos cantos.
Já o Jace, bom o Jace no começo é irritante, muito sarcástico, mas logo você começa a gostar dele por conta da personalidade. Diria que o Jace é o personagem com personalidade mais desenvolvida, apesar da história girar mais em torno da Clary.
O Simon, é aquele cara do tipo "amigão", é um personagem muito importante também e é ele quem dá uma certa segurança, estabilidade pra Clary, acho que se não existisse ele na história, com certeza, iria estar faltando alguma coisa.

Pra finalizar - 

Aqui no Brasil já foram lançados os primeiros 4 volumes. O quinto volume, se não me engano, será lançado aqui pro o final do ano.

Os volumes são: Cidade dos Ossos, Cidade de Cinzas, Cidade de Vidro, Cidade dos Anjos Caídos e City of Lost Souls

Esse ano também teremos o filme - Cidade dos Ossos. Segue o trailer abaixo:




PS Esse ator que é interpreta o Jace, ele era o Arthur naquela série que foi cancelada "Camelot". Lá ele dava uma impressão de ser mais velho. =S

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Porque não gostar de Cinquenta Tons de Cinza



A trilogia “50 tons de cinza” é um retumbante sucesso comercial mundo afora. Mulheres, de diferentes faixas etárias, acotovelam-se nas livrarias para garantir o seu exemplar. Eu, apesar de nunca curtir essas febres, fui também ler o q está deixando a mulherada em polvorosa. Ah, se arrependimento matasse. Mal pude chegar ao fim do primeiro livro e fiquei com vontade de chorar. Só conseguia pensar em como “aquilo” faz tanto sucesso.

Nas próximas linhas, mostrarei meus motivos de repúdio à “obra”.

Em primeiríssimo lugar, na minha humilde opinião, nada q remeta a “saga” Crepúsculo possa ou deva ser levado a sério. Não tenho nada contra literatura juvenil, adolescente. Pelo contrário, acho-a importante: para a faixa etária que se destina. O sucesso deste livro com leitoras mais experientes indica o grau de imaturidade que a leitora brasileira e/ou mundial se encontra.
Em segundo lugar, a obra em si é simplista. Seus personagens são rasos, sem desenvolvimento ou conflitos densos. Tudo é bastante “bobinho” e muito, muito clichê.

Em terceiro, tenho que falar sobre as “famosas” cenas de sexo relatadas no livro. É tudo tão patético, artificial e cafona. Nada parece verossímil ou real.
Mas eu até estaria disposta a relevar todos estes defeitos e considerar a obra um passatempo de péssima qualidade se não fosse por este último e crucial motivo. O personagem Christian Grey. Fico em estado de choque ao ver mulheres e jovens dizerem aos quatro ventos que querem um Christian Grey para elas, que ele é um exemplo de homem, tudo o que uma mulher pode querer. 

Também me preocupa estarmos ensinando as nossas adolescentes que homens como Grey são o exemplo que elas devem procurar. Mas o que há de tão errado com ele, vocês podem me perguntar ? Explicarei a vocês: Ele não é só um dominador na hora do sexo. Ele quer ter controle total e absoluto sobre cada aspecto da vida da Anastacia. Ele quer decidir as roupas que ela deve vestir, o que ela deve comer, quando e como ela vai dirigir. Ela deve se referir a ele como “Amo” e ela deve ser totalmente submissa a ele. Quando ele bate na Anastacia, não há prazer nenhum, ele sente raiva, está bravo com ela.  Mas ele é tão lindo, forte, rico. E daí ? Tudo isso me causa asco, repúdio, indignação.

Mas algumas pessoas me dirão: “Ah, a Anastacia vai mostrar o amor a ele e ele mudará e eles viverão felizes para sempre”. E eu pergunto: E isso é possível ? Na nossa vida real, cotidiana, um homem violento e controlador mudaria ? Caso a filha de vocês namorasse um homem assim, o que vocês diriam a ela ?


Posted by Alê

sábado, 26 de janeiro de 2013

Feios - Spoilers - by Fê

Aqui vai as minhas impressões de "Feios" do autor Scott Westerfeld. Ainda não terminei de ler toda a série. Estou terminando de ler o segundo volume "Perfeitos".

A série é composta por quatro livros: "Feios", "Perfeitos", "Especiais"e "Extras".

A história gira em torno de  Tally Youngblood que é uma garota que mora na Vila dos Feios e está prestes a completar 16 anos. Tudo o que ela mais quer é se tornar Perfeita, morar em Nova Perfeição, fazer novos amigos e participar de festas - coisas borbulhantes todos os dias. 
Mas para se tornar perfeita, ela precisa esperar pelos seus 16 anos para ganhar um presente do governo. E qual é o presente?? Uma operação plástica que vai corrigir todas as suas imperfeições, a começar pela sua pele que será trocada por outra, seus ossos que serão substituídos por uma liga artificial e  mudanças também no tamanho de seus olhos e lábios.
No decorrer da história vão se revelando uma série de segredos a respeito dos perfeitos. Isso se dá quando Tally é obrigada a ir para "Fumaça"- local onde vivem os feios que fugiram de Vila Feia - como espiã atrás de sua amiga Shay que havia fugido. Lá Tally conhece David e aí se dá uma série de complicações.

O final desse livro é surpreendente. Não recomendo que leiam a última página do livro, pois podem perder a surpresa do final.

Sobre a Tally: Eu num gostei muito dela à princípio. Achei que desde o primeiro capítulo ela só tomou as decisões erradas, mas no decorrer da história  percebi o quão humana ela era, o fato de não conseguir falar o que ela precisava, a insegurança, o modo como ela tenta compensar as coisas que ela julga ter feito. Estou dizendo isso, porque em nenhuma parte, pelo que me lembro, a vejo lamentando ou se diminuindo por conta dos acontecimentos. Não foquei muito nos outros personagens, apesar de ter gostado muito da Shay. 

O autor, na minha opinião, foi genial, ele criou uma história futurista, onde nós tidos como "Enferrujados" não existimos mais, somente as ruínas de nossas cidades continuam de pé. Mas o mais legal é de como isso aconteceu, não foi um terremoto, um furacão ou uma invasão alienígenas que nos destruiu e sim uma bactéria que ao se contaminar o petróleo destruiu sua estrutura. 
Outra  coisa genial que achei foram as flores brancas. Quando Tally está indo para "Fumaça", local onde vivem os Enfumaçados - feios que não passaram pela operação (tipo de um grupo rebelde, por assim dizer) - ela se depara com um lindo vasto campo de flores brancas (orquídea-tigre branca) e logo depois ela descobre que aquelas lindas flores afastavam outras espécies de plantas, acabavam com as árvores e a grama.
(As flores brancas, que eram uma das plantas mais raras no mundo na época dos Enferrujados valiam mais que uma casa um único bulbo. Então uma enferrujada modificou a espécie genéticamente para que se espalhasse mais facilmente com a finalidade de usa-las como moedas de troca.)

Pra finalizar, nesse livro tem muita crítica social que nos faz refletir sobre muitas coisas. Recomendo a todos que o leiam. 

Vou deixar aqui uma pergunta que consta na capa do segundo livro da série:

"O que acontece quando ser perfeito não basta?


Posted by Fê